Entrevistando Gabriel Ramalho

Seg, 27 de Junho de 2011 15:14  //  
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Conversamos com o publicitário e designer gráfico, Gabriel Ramalho. Blogueiro do Tempos Modernos e organizador do evento Papos em Rede, onde debatem sobre temas relacionados com tecnologia, internet e mídia social.
Ele nos contou um pouco sobre a experiência do Papos em Rede,  publicidade online e suas opiniões sobre conteúdo relevante nas redes sociais.


@quinttocom: Qual foi o objetivo inicial de montar o Papos em Rede? qual o próximo passo do evento?

@gabsramalho: A ideia do Papos em Rede surgiu a partir de uma percepção de que o Mercado local desconhecia a existência de bons profissionais locais, com cases consagrados nacionalmente em comunicação ou marketing digital, muitas vezes buscando estes fora do Estado ou adaptando receitas que funcionavam em outros contextos mas não tinham coerência com a relidade nordetina ou a cearense. A ideia era apresentar ao empresariado o que já se fazia, compartilhar e trocar experiências com outros profissionais locais e trazer a estudantes noções sobre as possibilidades do digital em seus contextos de atuação profissional. A ideia não é apresentar receitas-de-bolo do tipo "faça desta forma", "crie um perfil, que funciona" etc, mas discutir estas questões ligadas à comunicação e ao marketing, com o uso de ferramentas, meios e suportes digitais. Não imagino um "próximo passo" pro evento, pois ele já atende bem para o que se propõe atender. Talvez, quem sabe, transformá-lo num evento maior, de mais de um dia, com debates, seminários, desconferências, coisas assim. Mas não é um plano imediato.


@quinttocom: O que você acha dos eventos de mídia social que estão acontecendo em fortaleza? O que acrescentaria?

@gabsramalho: Tenho visto eventos, encontros, debates e cursos aparecendo e isto é bem empolgante pois, apesar de termos bons profissionais locais atuando nacionalmente há algum tempo, esta cultura do digital é algo relativamente novo e o mercado precisa desta sacodida. O que mais me preocupa hoje em Fortaleza é quando vejo alguns cursos ofertados por aqui com ementas que considero ou deslocadas da realidade local ou vazias em conteúdo e ricas em promessas que não se pode cumprir. Acho irreal alguém achar que ao concluir um curso de 10 horas, estará pronto como um profissional de comunicação ou marketing digital, sem que tenha tido qualquer contato anterior tanto com teorias de comunicação como de marketing ou administração. Me preocupa porque vicia o mercado e faz com que o ambiente profissional, como um todo, perca credibilidade. Cursos do tipo "Faça sua empresa vender pela Internet", que pincelem apenas sobre o funcionamento de um sistema de comércio eletrônico, mas que não falem sobre a administração, estratégias promocionais, relacionamento ou, mesmo, algo bem importante, a logística que vai fazer com que o produto chegue ao cliente, são mais prejudiciais ao ambiente do que a ausência destes.


@quinttocom: Atualmente, quem você acha que, em fortaleza, tem relevância nas redes sociais? Em termos de iniciar discussões e gerar um conteúdo relevante? Existe essa pessoa? 

@gabsramalho: Temos relevância por nichos. Não creio que exista um único agregador ou mesmo um coletivo organizado que tenha relevância unânime em toda a Fortaleza, mas a relevância dentro daquela network que a gente escolhe participar. O Twitter tem esta graça de a informação ser configurada a gosto do freguês, dependendo de quem escolho seguir. Meu twitter vai ser diferente do twitter de outro usuário e isso é fantástico. Relevância não se mede por quantidade de seguidores, mas na interação destes com o difusor ou com a informação. Daí que mesmo esta relevância no cenário local vai ser percebida a partir dos gostos pessoais. Acho o @leisecafortal, hoje, um perfil extremamente relevante na cidade, mas é uma opinião minha, pessoal. Dentro de minha network, vou ter profissionais de jornalismo, de publicidade e de marketing que considero relevantes mas que não posso afirmar serem relevantes em toda a cidade. Recentemente, soube de uma cantora de forró que tem milhares de seguidores e interage com estes no Twitter, mas não saberia dizer quem é, pois não sigo e talvez nem me interesse pelas atualizações. É alguém que tem grande relevância dentro de sua rede, de seu nicho. Assim como aqueles que sigo por partilharem de interesses semelhantes. 


@quinttocom: Quem, de âmbito nacional, você gostaria de chamar para o Papos em Rede?

O Papos em Rede nunca teve a intenção de trazer nomes de fora do Estado, pois tem a ideia de promover os trabalhos que são feitos aqui, mas se pudesse escolher alguns nomes, eu gostaria muito de trazer o Mauro Segura por conta da forma como ele encara o uso da Internet e das Redes Sociais dentro do cotidiano das empresas e defende o uso sem bloqueios, como aliadas e não como inimigas da produtividade. É uma visão interessante e baseada no contexto de uma grande empresa, que é a IBM, onde ele é Diretor de Comunicação e Marketing. Outro nome seria o Marcelo Coutinho, do Terra, que também é professor na FGV. Talvez, se a ideia de transformar o Papos em Rede em um evento maior evolua, isso possa ser estudado como possibilidade.


@quinttocom: O que você indica para gestores que procuram informações detalhadas sobre as aplicações de mídia social?

@gabsramalho: Antes de buscar ferramentas e aplicações, buscar entender o principal: mídia social é movida a pessoas. Pessoas têm desejos, têm anseios, querem ser ouvidas, querem se relacionar. Se o gestor ignora isso e busca apenas uma ferramenta para usar como via unilateral para propagar suas mensagens, está fazendo errado e nenhuma ferramenta irá salvá-lo. Mesmo as aplicações de mídia social devem ser coerentes com seu público. Quem são estas pessoas, o que elas querem, onde elas se reunem na Internet? Pensar a aplicação como consequência dos comportamentos deste público e não como motivadora de comportamentos futuros que podem ou não se concretizar. 


@quinttocom: Na publicidade online, o que esperar e em que apostar a curto e médio prazo?

@gabsramalho: Em se tratando de online, é bem arriscado fazer uma assumpção ou previsão, dados tantos formatos e possibilidades. O que já é fato hoje permanece: publicidades que engagem, que estimulem a participação e transformem a audiência em redifusores da mensagem. Acho que o Branded Content, como ferramenta de publicidade institucional é algo que vamos ver crescer bastante nos próximos anos. E, também, uma evolução na forma de se pensar campanhas em mídias sociais, fugindo do óbvio - e chato - do "dê RT" e ações do tipo. 
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